Tristitia Romana
As pontes foram tomadas, Marco
Nada mais podemos fazer
Além de suceder
A o que pode acontecer
O que pode acontecer?
O gérmen que nutre o fruto
Que faz de si seu uso
Somos nós o gérmen do mundo
Seu uso é difuso
E esse pesar taciturno
Presenciamos o fim do mundo
Paax Romana!
...Ao raiar do dia marchamos!
E a demagogia soberana
Das profundezas proclama
O alicerce inflama
Ora vejam os belos espólios
Guerras perdidas, sofridas
As mágoas de nossas premissas
Claudio, Júlio, augusto
Todos do joio oriundo
O centeio que cobre o defunto
Ao mundo eterno recluso
Nossos pesares taciturnos
A estúpida assepsia
Faz da ferida arredia
Sangra pelo velcro da letargia
Somos nós a nossa ironia
Que contamos...
Sangra pelo velcro da letargia
Somos nós a nossa ironia
Que contamos em nossas mentiras
Os pilares do mármore sombrio
Em nosso mundo, o fastio
Somos nós o nosso vazio
Somos nós o nosso precipício
Carrego abismos comigo
No vinho a verdade ignóbil
Tentando negar o óbvio
O inevitável óbito
Somos efêmeros, o envoltório
Presentes apenas em nosso velório
Roma caiu! Caiamos nós!
Pela decadência que nos imbuiu
Do taciturno sentimento servil
Que algum dia tenhamos brio
Em um ataúde, fechado, covil
Morituri Mortuis
A grande necrópole sem nome
Reside em todo onde
Onde o sol se esconde
E sempre é noite
Onde ninguém mais tem pronome
Ah! Repete-se!
Tudo que não apetece
Tudo sempre fenece
Pois sempre que escurece
A premissa se repete
E nada mais se enaltece
O sentimento prolixo e ambíguo
A ambivalência do argumento
Ad Nauseam, o sentimento
Nada mais é sofrimento
Se só existe o ressurgimento
Pelas valas comuns de Père Lachaise
Como se exaltar a mudez
Os mortos nada falam!
Os mortos consigo se apagam!
A práxis pejorativa sacramentada
De velar qualquer forma de mortalha
Percebe-se na indumentária
Já se veste manchada
Pelo símbolo que representa, violada
Ah! Repete-se!
Primeiro como farsa
Depois como tragédia
Ah! Que questão ébria
Em nada isso desagua
É um oceano de miséria!
Eis a nossa pilhéria
Ao acender uma vela
Goteja o expurgo dela
A próxima vela já não é bela!
AH! REPETE-SE!!
Argumentum Ad Nauseam
Foda-se a idiossincrasia
Sindicato de dementes
Foda-se a democracia
Oligarquia dos doentes
Foda-se a misantropia
Isolação indiferente
A verdade maior é não ter verdade
Estamos sozinhos com nossa dualidade
Somos farsantes, a disparidade
Em nossos corações a mais pura crueldade
Apenas não ligo para título
Maldito coito interrompido
De perpetuar o atrito
Entre quem sofre e quem é aturdido
Nada se faz cabível
A tristeza é ter juízo
Eu odeio tudo e a todos
Em meu coração o agouro
De jamais descansar, ditoso
Sou eu milhões de estrondos
Nascemos em meio a escombros
Somos apenas desaforo
Como não adoecer?
Se o mundo te faz emudecer
A premissa da vida resolver
Algo que pode suceder
Por pior que possa ser
O pior vai acontecer!
Somos o rancor absoluto
Do giz e bálsamo irresoluto
Somos nós reles defuntos
Nos arrastando por um mundo
De conflitos irresolutos
E morais podres, difusos
Foda-se tudo!!!
Quod Sumus Hoc Erits
Pelo mundo que está acabando
Estamos definhando
Mesmo assim desdenhando
O ônus postergando
Não mais desejamos
Aquilo que achamos
Assim aqui estamos
O que somos assim serão
Os que depois virão
A mesma solidão
A mesma aflição
Como em cada palma de mão
Um mapa para a ambição
Desaguando em frustração
Não é para ser necessário
O canto do leprosário
Aquiesce o itinerário
Não mais somos o inevitável
Teor e viés responsável
Parte da engrenagem execrável
Somos o processo, não destinatário
O remetente é ausente, inalcançável
Alcance a partícula divina
Pois é a premissa
De ser definitiva
Não acumulativa
Acumular oceanos da mesmice
Faz tudo ser uma chatice
Como se algo existe
Ainda assim não se define
Apenas uma gota da panaceia definitiva
Da cânfora da assepsia empedernida
Para calcar nossos pés na diáspora ríspida
A ironia é que isso rima
A piada são nossas vidas
Cansadas e repetitivas
Definidas pela fadiga
De esperar se melhora ou se finda
Mors Omnia
O valor da vida é inefável
Irresoluto e frágil
Para arraigar de forma hábil
Tudo que seja execrável
A indolência coabitável
Valor venerável
Nada diga se não diga
Qual será a premissa
Que ao final do dia
Se faça digna
Algo que pugna
As horas do relógio, contam
Mares insidiosos, escombros
Por tudo que seja ônus
Envoltório, viscoso
Algo que seja ditoso
Pelo tempo perdido na ira
De se vender a premissa
Há sempre quem diga
Que a verdade irradia
Faz arraigar melancolia
O provérbio do bêbado jocoso
Como irá viver de novo
Ao perder todo o seu gosto
Por saber ser terroso
O pavor de errar de novo
Há tudo na mazela e no estigma
Faz relevar a vida
Há quem viva, há quem diga
Que o tempo faz honrar a ferida
Dessa terra arrependida
Repousa em meu peito essa premissa
No final é apenas o final
Sem mesmo o qual
Latente e assaz é o mal
Que se exaspera sem sinal
Enterra-se sem despedidas